sábado, 16 de junho de 2018

O que você precisa saber para conhecer Cusco / Vale Sagrado / Machu Picchu

Enfim, começando meu relato de viagem para o Peru! Ou melhor, para o Peru não - afinal - o Peru tem tantos lugares incríveis que jamais dá pra dizer que conheço o Peru. Minha viagem foi para Cusco, Vale Sagrado e Machu Picchu, que representam o básico do básico entre os maravilhosos destinos peruanos. Desta vez, resolvi dividir meu relato em partes. Começo com esse texto com informações que você precisa saber ANTES de embarcar nessa jornada incrível! Papel e caneta na mão porque há muitos preparativos para fazer desta uma viagem inesquecível!!!




PRA COMEÇO DE CONVERSA... Antes de começar, gosto de explicar em meus textos com dicas de roteiro eu divido as informações em tópicos. Por que? Como leitora assídua de blogs de viagem, acho que assim fica mais fácil localizar aquilo que o leitor procura. Muita gente, por exemplo, pode estar entrando neste post só pra saber como comprar ingressos pra Machu Picchu... aí não precisa ler tuuudo antes, vai direto pro tópico de seu interesse. Antes disso, porém, acho importante - também - me apresentar para quem não me conhece!

QUEM SOU EU: Paulista, jornalista, geminiana, 37 anos, divorciada, mãe de uma menina de 4 anos, viajando pela primeira vez para fora do país sem a pequena desde que ela nasceu. Isso explica por que não conheci mais lugares próximos à Cusco nessa viagem. Eu tinha só uma semana de "folga" da vida de mãe e esse também foi o tempo que pude ficar longe do trabalho, então tive que espremer tudo nesse período. Viajei sozinha por opção, por amar essa sensação de liberdade! Coisas que eu gosto (e justificam minhas escolhas nas viagens): lugares históricos, cultura, boa comida, vida noturna, natureza... mas não sou lá muito "esportista" (essa informação é importante quando o destino envolve muitas trilhas a grandes altitudes, como neste caso). Importantíssimo dizer também: como a grande maioria das pessoas, viajo com dinheiro contado, economia é a palavra de ordem! 

POR QUE CUSCO? Para essa primeira viagem sem minha filha, eu queria um destino na América do Sul por ser mais próximo e mais barato... Já estive na Argentina, Chile, Colômbia, mas nunca tinha ido ao Peru e como estou numa fase meio "racional" demais, queria vivenciar toda "magia" e sentir toda energia que eu tanto ouvia falar em relação à famosa capital do império inca. Também sou apaixonada por história e cultura, algo que as comunidades incas - aliadas à toda interferência da colonização espanhola - têm de sobra. Isso sem falar que Cusco é um lugar repleto bons restaurantes, casas noturnas, festas populares, povo acolhedor e grande número de viajantes solos, como eu! Se você se identifica com algum desses pontos, essa é a viagem perfeita pra você!

Plaza de Armas, coração de Cusco, a famosa capital do Império Inca

QUANDO IR: Cusco tem apenas duas "estações" no ano - a seca (de abril a outubro) e a chuvosa (de novembro a março). Pela lógica, a estação seca é a melhor porque, na chuvosa, há riscos de deslizamentos e até mesmo de os sítios arqueológicos estarem fechados para visitação. O problema é: na estação seca CHOVE turistas! Eu viajei de 28 de maio a 3 de junho porque quis viajar perto do meu aniversário e encontrei tudo bem cheio por lá. Mais para o fim de junho também é lotado porque tem o solstício de inverno - a festa mais importante da cultura inca. Julho nem se fale, já que é mês de férias. Então, há quem sugira os meses de transição entre o fim da época seca e o início do período chuvoso - ou seja, entre outubro e novembro - na tentativa de dar sorte com o clima sem enfrentar as multidões. Eu, como azarada de carteirinha, peguei dias lindos e azuis a viagem INTEIRA, com exceção no dia em que fui pra Machu Picchu. Ou seja, é bom saber tanto sobre o clima quanto sobre o movimento de pessoas no mês em que você pretende ir para lá, mas todo viajante sabe que uma pitada de sorte também é essencial.

TEMPO PARA FAZER ESSA VIAGEM: Como eu disse, infelizmente só tive uma semana... mas vai por mim: fique, pelo menos, de 8 a 10 dias para poder incluir lugares incríveis que também são próximos a Cusco e que não pude incluir no roteiro, como a lagoa Humantay e a Rainbow Mountain, além de aproveitar mais Cusco propriamente dita, que por si só já vale a viagem. Ah, isso se você não for "trekkeiro". Se você curtir caminhadas em trilhas longas, acampamento em meio à mata, para chegar a pé à Machu Picchu, coloque aí pelo menos 15 dias. É minha meta na próxima ida ao Peru (sim, TENHO que voltar): de 15 a 20 dias porque, em uma semana, foi uma correria só!

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA VIAJAR: Apenas RG ou CNH, não precisa de passaporte (só se você quiser carimbá-lo em Machu Picchu, um carimbinho just for fun). Também não é necessário ter a Carteira Internacional de Vacinação, alguns lugares informam que é exigida a vacina contra a febre amarela para ir ao Peru, mas pelo menos até agora (junho de 2018) isso não é necessário



PASSAGENS AÉREAS: Não pesquisei em outras companhias porque comprei uma passagem promocional pela Latam, mas a Avianca também faz esse trecho. Meu vôo foi de Guarulhos a Lima e de Lima a Cusco, pelo que pesquisei não há vôos diretos à Cusco. É por isso que muita gente inclui uns dias em Lima nesse roteiro, mas eu mal tinha tempo pra fazer tudo o que eu queria em Cusco, imagina se incluísse Lima! Então minha conexão foi de duas horas em Lima, tempo suficiente para comer, trocar um pouco de dinheiro (falo disso logo mais) e embarcar ao destino final. 

QUAL MOEDA LEVAR PARA O PERU: A moeda no Peru é o Nuevo Sol - ou simplesmente "soles", como os peruanos chamam. É uma moeda considerada "fraca" (assim como nosso glorioso real), que não vale a pena comprar diretamente aqui no Brasil. Também não vale a pena levar reais, apesar dele ser um pouquinho mais valorizado em compração ao Nuevo Sol. Pesquisei bastante e concluí que é melhor comprar dólares por aqui (mesmo que esteja em alta desenfreada, como estava quando eu fui) e lá no Peru trocar por soles. Achei uma boa explicação para isso no site de viagens Sundaycooks: "o dólar costuma ter um spread (que é o valor que as casas de câmbio colocam em cima da moeda) entre 4,5 e 5,5%. Já o novo sol tem spread próximo de 20%. Por isso, mesmo que você perca 5,5% comprando dólar aqui e outros 5,5% na troca por novo sol no Peru (total de 11,3%), ainda pagará menos do que se comprasse o novo sol no Brasil com 20% de spread". Então, para levar dinheiro vivo, leve dólares e troque lá. Quando fui, 1 dólar valia cerca de 3.20 soles e 1 real era equivalente a cerca de 0,80 soles. Como em todo lugar, as casas de câmbio dos aeroportos não são vantajosas, então o ideal é trocar só um pouco no aeroporto para pagar o táxi do aeroporto para o seu hotel. Deixe para fazer câmbio já no centro de Cusco.


COMO ELABORAR SEU ROTEIRO: Eu sou "a louca" do roteiro porque sempre quero conseguir aproveitar ao máximo o lugar para onde vou no tempo que eu tenho. Então sempre reúno o máximo de informações possíveis para montar um roteiro que resulte em uma viagem bastante produtiva e posso dizer com propriedade: essa foi a viagem que exigiu mais planejamento anterior entre todas que já fiz na vida. Isso porque, para chegar ao ponto alto do roteiro, que é Machu Picchu, há muito a ser feito bem antes de embarcar. Por isso, leia bastante sobre o destino - incluindo deslocamentos, locais onde vai se hospedar, as diferentes formas possíveis de se chegar até a cidade inca - para que você possa, então, saber exatamente o dia em que você estará em Machu Picchu. O motivo de ter uma ideia do roteiro antes de ir é que você vai precisar de...


Lhama posando para foto em Machu Picchu

INGRESSO PARA ENTRAR EM MACHU PICCHU

Classificado como Patrimônio Mundial pela Unesco, Machu Picchu atende à exigência de limitar o número máximo de visitantes por dia na cidade inca. São no máximo 2.500 visitantes diariamente no total. É muita gente, ainda assim, no período seco do ano - quando os turistas literalmente invadem o lugar - os ingressos podem se esgotar. Imagine você chegar lá na porta e ter que dar meia volta por não ter mais ingresso para a data? Por isso, compre antes pelo site do Ministério da Cultura do Peru. Ao acessar o site, primeiro você deve escolher "Machu Picchu". Em seguida, é preciso clicar em uma das seguintes opções:


=> Machu Picchu (permite acesso direto à cidade inca e passagem e local da tradicional foto do local) - custa 152 soles

=> Machu Picchu + Montaña (permite que você suba primeiro a montanha Machu Picchu - para depois seguir à cidade inca, com direito que retorne mais uma vez à montanha para o local onde se tira aquela foto tradicional) - custa 200 soles

=> Machu Picchu + Huayna Picchu (você também pode subir a montanha que a gente vê ao fundo da já mencionada tradicional foto de quem vai pra Machu Picchu,ou seja, é a montanha à frente da Montanha Machu Picchu) - custa também 200 soles

Como decidir qual rota escolher?

Para o meu perfil - não trekkeira, não super esportista, aquela pessoa que não tem a mínima vontade de superar limites do corpo hahahaha - a rota Machu Picchu foi na medida. Li um pouco sobre a subida à Huayna Picchu e este post do Viaje na Viagem me convenceu de que não era necessário para mim. É um esforço muito grande para uma vista que não muda muito em relação ao que já se vê de outros pontos de Machu Picchu, mas é claro que muita gente que subiu não se arrependeu, assim como Machu Picchu Montaña (cerca de 3 horas de subida). Considere, porém, que você já vai ter andado bastante antes de, enfim, estar no auge da viagem. 

Comprar ingresso para qual horário?

Para quem vai conhecer somente a cidade inca é preciso escolher entre o primeiro turno (período da manhã) e segundo turno (período da tarde), considerando que o horário de funcionamento é das 6 às 16 horas. Com esse tipo de ingresso, o tempo máximo de permanência por lá é de quatro horas, suficiente para um bom tour guiado pelas incríveis ruínas. Eu li muitas recomendações para ir logo no primeiríssimo horário por ter menos movimento. Para isso, acordei 3 horas da manhã, fiquei na fila do primeiro ônibus, às cinco e meia, cheguei lá antes de abrir e olhem a situação:

Fila para entrar em Machu Picchu antes das 6 horas da manhã!

Não sei se existe algum horário de menos movimento de pessoas na época seca do ano. É muito cheio! Aí o que aconteceu? Cheguei tão cedo que havia muita névoa, pouco se dava pra ver da cidadela lá embaixo. Foi só por volta de 11h30 que começou a limpar o céu. Ok, eu dei azar porque peguei uma noite anterior atípica para o início de junho, com chuva. Mas depois da minha experiência - lugar lotado + muita névoa matinal - fiquei questionando se vale mesmo todo sacrifício para subir no primeiro horário ou se tudo bem ir mais tarde. Fica aí o questionamento pra vcs pesquisarem e responderem hahahaha. 

Qual a forma de pagamento do ingresso?

Como se não bastassem as decisões de rota e horário, além do cuidado de comprar antes por conta da lotação, há uma dificuldade em pagar pelo ingresso pelo site, sem intermédio de uma agência. Só é aceito o cartão internacional Visa que participante do programa Verified by Visa. Então é um cartão muito específico que pede uma confirmação de senha ou token para efetuar a compra e dá MUITO erro até que você consiga emitir o boleto de pagamento para depois voltar ao site para confirmar a compra do ingresso. A dificuldade é tanta que o site Sundaycook fez esse post com dicas de como conseguir a façanha de comprar pelo site. Eu consegui lá pra sexta ou sétima tentativa... Boa sorte na sua compra e não esqueça de imprimir os ingressos e levar com você!

Foto obrigatória na praça central de Águas Calientes, povoado ao pé da montanha que leva à Machu Picchu

COMO CHEGAR EM MACHU PICCHU: Sim, até isso você precisa decidir antes porque é determinante tanto pra saber quanto tempo de viagem você precisa. Para quem gosta de aventuras, longas caminhadas a grandes altitudes, dormir em acampamentos e enfrentar todos os desafios que tudo isso envolve tendo como recompensa uma grande aventura e incríveis paisagens, há vários tipos de trilha para chegar à cidade perdida dos incas, sendo as principais:

=> Trilha inca: tem a versão clássica, de 45 quilômetros de percurso, e a curta, de 23 quilômetros. Elas podem ser percorridas entre dois e quatro dias numa paisagem exuberante que mistura selva e montanhas, além de complexos arqueológicos.

=> Trilha Salkantay: é uma rota alternativa à trilha inca, menos popular, num percurso de 70 quilômetros. São de quatro a cinco dias de caminhada em lugares pouco explorados, se você der um Google vai se surpreender com as imagens incríveis que esse caminho proporciona, mas ele é bem hardcore.

Várias agência vendem essas trilhas, mas a inca deve ser comprada com mais antecedência já que tem limite diário de pessoas. Não vou me alongar falando dessas opções porque só conheço pelas minhas pesquisas, não fiz as trilhas, nem pesquisei preços. Então, a outra opção para ir pra Machu Picchu é partindo de ônibus de Águas Calientes e, para chegar até lá, o transporte é feito de trem. É sem dúvidas o jeito mais confortável e charmoso de fazer o trajeto! Também para o transporte ferroviário, é recomendável que as passagens sejam compradas antes porque, se elas se esgotarem no dia previsto da ida à Machu Picchu, fuéin! A casa cai. Então vamos ao trem:

Trem na estação de Ollantaytambo, antes de partir para Águas Calientes

OS TRENS QUE LEVAM A ÁGUAS CALIENTES: Duas empresas operam as viagens de trem até Águas Calientes, a Inca Rail e a Peru Rail. Fui pela Peru Rail porque consegui comprar de primeira os ingressos com meu cartão (os sites são chatinhos também), mas as empresas são bem semelhantes em termos de serviço e categorias de vagões, com uma pequena diferença no tempo de viagem. Ambas partem de Poroy (a 25 minutos de Cusco de táxi) ou de Ollantaytambo (uma vila super charmosa no sítio arqueológico que eu mais amei na viagem, a cerca de uma hora e meia de Cusco).

Tanto a Inca Rail quanto a Peru Rail têm vagões com vários níveis de conforto e preços, além de vários horários de partida. Vale acessar os sites e analisar o que cabe no seu bolso e suas preferências. O que eu recomendo: investir num trem com uma vista mais bacana para ida, num horário que ainda tenha a luz do dia, já que o caminho é incrivelmente lindo às margens do rio Urubamba. 

Vagão do Vistadome, da Peru Rail, que tem vista panorâmica do trajeto até Águas Calientes

Eu fui no vagão Vistadome, que é o mais barato entre os panorâmicos (ainda assim é caro pro meu humilde bolso, paguei 75 dólares). Saí de Ollantaytambo às 13h27 e foi maravilhoso! Uma dica: sair de Ollantay fica mais barato do que sair de Poroy, por isso é recomendável montar seu roteiro de forma que você esteja em Ollantaytambo para seguir a Águas Calientes. Para a volta, porém, comprei a mesma categoria de vagão, só que saí de Águas Calientes no fim da tarde, por isso foi absolutamente inútil ter vista panorâmica, não é possível ver nada, você volta acabado de cansaço querendo mais é dormir e não há a locução turística que tem na ida. Então, minha recomendação é comprar o trem mais simples e barato possível para a volta, caso queira economizar (eu penso em economia, sempre!). Também sai mais barato e rápido desembarcar em Ollantaytambo e, de lá pegar o ônibus para Cusco, em vez de seguir até Poroy (que fica mais perto de Cusco, logo, representa um percurso maior e mais custoso de trem).

ONDE SE HOSPEDAR AO LONGO DA VIAGEM: Falei antes da importância de ter um roteiro para saber onde estará a cada dia e também para definir onde ficar. Isso é bacana porque aí você pode decidir se vai ficar sempre em Cusco, indo e voltando dos lugares, ou de se hospedar em Ollantaytambo, de onde parte o trem para Águas Calientes. Há, ainda, hospedagem em Águas Calientes - que julgo essencial na noite anterior à subida à Machu Picchu. Ao procurar um hotel ou hostel ou qualquer outro tipo de acomodação, o que sugiro pela minha experiência: em Cusco, fique nos arredores da Plaza de Armas; em Ollantaytambo, em qualquer lugar, a vila toda é linda, com preferência às proximidades das ruínas; em Águas Calientes, perto da estação de trem, já que nas ruas mais centrais faz muito barulho a noite toda!

PRECISO COMPRAR ANTES PASSEIOS PARA OUTROS SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS? Precisar você definitivamente não precisa. Há zilhões de agências vendendo esses passeios por todos os cantos de Cusco e, negociando, consegue-se ótimos preços no esquema "excursão" com roteiro pré-definido (e, consequentemente, bem em conta). Já para passeios mais exclusivos, privados, talvez seja bom pesquisar um pouco antes, mas ainda assim é totalmente viável comprar por lá mesmo! Como essas dicas são especialmente para quem está fazendo tudo por conta própria - sem agência de viagem envolvida - não há problemas em comprar por lá para conseguir melhor preço!

Ufa, é muita coisa, né? Para encerrar, aos "elaboradores inveterados de roteiros", como eu, deixo ainda três links que me ajudaram bastante no meu planejamento:

=> Para viabilizar um roteiro "apertado", como poucos dias, como o meu: post do Viaje na Viagem

=> Para informações detalhadas sobre Cusco e o Vale Sagrado: posts mil do Sundaycooks

=> Para entender melhor sobre horários e visitação a Machu Picchu: post do Escolha Viajar

É isso! Em breve vou escrever sobre a viagem propriamente dita!

Até a próxima :)

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