sábado, 30 de setembro de 2017

O gnomo do sr. Poulain

Moscou, Nova York, Atenas, Istambul e muito mais. Que inveja do gnomo do sr. Poulain, pai de Amélie Poulain, do aclamado filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain"! Foi ele que me levou hoje até uma exposição fofinha sobre o longa em São Paulo e agora, que cheguei em casa, resolvi escrever sobre por que esse anão de jardim me tirou de casa nesse sábado chuvoso.



"São tempos duros para os sonhadores"... e como são, Amélie Poulain! A frase que mais amo do filme que dispensa apresentações aparece em muitas das telas da mostra "Desvendando o Universo de Amélie Poulain", que está no hall de entrada do Shopping Frei Caneca, na capital. Uma exposição pequenininha, que eu mal sabia do que se tratava, mas que só pelo tema já me chamou a atenção. Na verdade mesmo, depois que eu passei meu sagrado café preto ao acordar, neste sábado, comecei a procurar na internet algum cinema que ainda estivesse exibindo "Como Nossos Pais", que infelizmente não consegui assistir a tempo. Depois de uma busca rápida, vi que já não está mais em cartaz. Sendo assim, enchi de novo minha xícara de café, deitei na rede do meu quintal, olhei para aquele tempo cinza que fazia hoje cedo e pensei: quer saber, não tem o filme que eu queria, eu vou é ficar em casa. Foi quando a exposição de Amélie Poulain passou pela timeline do meu Facebook e eu logo me lembrei do "gnomo inspiração".

Para quem não assistiu - existe alguém no mundo que não assistiu a essa lindeza de filme? - o tal gnomo é uma estátua que faz parte do jardim do sr. Poulain, pai de Amélie. Depois da morte da esposa, ele mal sai de casa. Passa os dias cuidando do jardim onde criou uma espécie de mausoléu para colocar as cinzas da mulher. Certo dia, o anão de jardim some e o sr. Poulain passa a receber, pelo correio, fotos do tal gnomo em várias partes do mundo. O anão estava viajando! Na verdade isso não passou de uma ideia da Amélie para que o pai se desse conta de que até o gnomo podia viajar, sair por aí, aproveitar a vida! Por que ele não? Inspirado nisso, o sr. Poulain enfim deixa o jardim de lado e coloca o pé na estrada.

Quando lembrei da figura do gnomo e do quanto ele é inspirador, logo olhei para o meu jardim: grama alta, cheio de "maria sem vergonha" tomando conta de tudo, só esperando a visita do jardineiro porque eu não tenho - e nem tenho muita vontade de ter - o mesmo talento do Sr. Poulain pra jardinagem. Já a preguiça de sair de casa muita vezes empata com a do pai da Amelie, deve ser porque estou quase da idade dele 😂😂😂. Enfim, vi que estava rolando a exposição, também estava com vontade de ir ao cinema, de ir pra SP, então fiz como faço tantas vezes: procurei algum filme que também me interessasse, comprei o ingresso pro cinema pela internet para já ter dois programinhas na "cidade grande" ao mesmo tempo e fui. 

São Paulo é muito perto da minha cidade, Mogi das Cruzes, são cerca de 50 quilômetros apenas. Esse é um privilégio sem fim que não me conformo que tanta, tanta, tanta gente daqui não aproveite. Não precisa se planejar muito, dá pra fazer como fiz hoje: acordar, pesquisar e decidir. São Paulo é uma megalópole, tem de tudo, é incrível, mas pouca gente aproveita. "Ah mas é tudo caro". Mentira. Tem de tudo mesmo e pra todos os bolsos, basta não querer dar uma de sr. Poulain e só ficar em casa! Eu amo São Paulo. Talvez me irritasse se morasse lá, mas como vou só vez ou outra a trabalho ou para algum curso / palestra / evento profissional, encaro de boa os perrengues que toda cidade grande tem se for para me divertir. E para isso faço questão de ir pra lá sempre que posso.

Aí o choque: se é pra ir pra cinema, exposição, essas coisas ali na região da Avenida Paulista, gosto de ir de trem e metrô! Sim, a prova de que dá pra todo mundo ir da minha cidade conferir uma exposição de graça em SP quando der na telha é que você gasta menos de R$ 4,00 pra chegar lá. Falei em "choque" porque as pessoas do meu meio de convivência muitas vezes não se conformam por eu fazer isso, como se fosse um sacrifício absurdo andar de trenzão. Por que não ir de carro? Muitas vezes eu vou sim, mas se é pra ir pra lugar onde tem metrô próximo eu deixo o carro num estacionamento baratex que tem perto do Terminal Tietê e dali em diante sigo de metrô. Muito mais simples do que se enfiar de carro em lugares com muito trânsito e com estacionamento a preços astronômicos!

Hoje fui de trem e metrô. Na correria da vida, tenho pouco tempo pra ler por mais de uma hora seguida (sem dormir de cansaço no sofá) e se tem uma coisa que eu adoro é ler no trem. Coisa besta para algumas pessoas, meio "suburbana" talvez... mas eu adoro! Assim como observar as pessoas no trem. Perceber o que fazem, se estão apressadas, será que estão indo pro trabalho? Ou indo encontrar com alguém? Gosto de observar se lêem também ou se estão ouvindo música ou jogando no celular ou só olhando pela janela. Tem gente de todo tipo no trem e no metrô, isso é enriquecedor. Quem se espanta que eu goste de ir ocasionalmente de transporte público pra SP talvez não curta esse contato com a pluralidade da vida, das pessoas, dos lugares. Sou meio "Amélie" nesse sentido. Gosto de observar e imaginar... tanto que às vezes o livro que levo acaba ficando no colo e eu lá viajando na galera do trenzão.

Outra coisa que adoro em São Paulo é o fato de você poder ser quem você quiser, já que você é só mais um na multidão, ninguém dá a mínima para o que ou quem você é. Posso ir de tênis que ninguém vai reparar. Posso andar em qualquer lugar sem maquiagem que ninguém vai se dar conta. As pessoas vão conversar comigo aqui e ali por que querem, sem nenhuma pretensão de saber quem é minha família, qual meu sobrenome, por que eu não fui na super festa badalada da coluna social, etc, etc, etc. Mais um motivo para, sempre que possível, fazer esse rolê até São Paulo. O de hoje foi bem "paulistano" com direito a chuvinha que deixa São Paulo com a típica cara de "terra da garoa".

Por sorte, quando desci no metrô Consolação, não estava chovendo. Fui a pé de lá até o Shopping Frei Caneca, nunca tinha entrado naquele shopping, mas é uma região que gosto muito dos arredores. A exposição estava logo na entrada e, a princípio, dei uma desanimada porque ela é super pequenininha... mas aí olhando painel a painel, cada frase de Amélie Poulain, cada detalhe do filme que é tão lindo, achei ótimo relembrar tudo e reviver um pouco daquilo que a personagem nos diz em sua história. Tinha esquecido, por exemplo, da frase "Quando chega a hora, você precisa saltar sem hesitar". Isso é tão verdade! A mostra é fofa. Tem um saco de cereais daqueles que Amélie gostava de mexer, mais uma das coisas simples que ela nos lembra o quanto é prazeroso. Tem fotos do gnomo, tem as bolinhas de gude do sr. Dominique, é uma graça. Não vale uma ida a SP só pra isso, mas para quem estiver por aquelas bandas, a exposição vai até o dia 15 de outubro. Bom, depois da exposição eu ainda tinha o cinema (e cafés e passeio)!

Comprei ingresso pra sessão em outro shopping da região da Paulista, o Pátio Paulista. Quando saí do Frei Caneca pra lá, porém, estava chovendo bastante, mas aí tem o Uber que é um tudo na vida da gente e paguei R$ 9,00 pra ir de um shopping para o outro. Assisti "Mother" que eu pouco sabia do que falava, mas vi o trailer e gostei, suspense é meu gênero preferido e ainda tinha o Javier Barden. Que surpresa ao descobrir que se tratava de um filme super intenso, provocativo, perturbador! Jeniffer Lawrence está espetacular e o filme é muito reflexivo para quem está aberto aos questionamentos meio apocalípticos do longa. Acho que Amélie iria gostar! Iria assistir com aquele olhão arregalado que ela abre no cinema!

Também acredito que Amélie iria gostar de andar de trem... mesmo que fosse aqui, na minha quebrada. Cheguei tarde em casa, mas cheguei tão revigorada pela energia de São Paulo e pela inspiração por relembrar o gnomo viajante que até vim aqui escrever antes de dormir. Enquanto não tenho a sorte que o anão do sr. Poulain tem por conhecer tantos lugares ao redor do mundo, fico feliz por estar tão pertinho da maior cidade do país e por dar minhas fugidinhas pra lá de vez em quando. Ah, que o gnomo saiba que eu também já estive em Montmartre, Paris, no Café Deux Moulins, declarando minha admiração por Amélie Poulain! Quem sabe um dia eu volte para lá e para tantos outros cenários de filmes que sonho em conhecer!

😉 😊 💛






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