quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Minha primeira vez num hostel

No meu primeiro post nesse meu "retorno" ao blog, falo da experiência que tive no último fim de semana, quando fiquei num hostel pela primeira vez. Já tinha ficado em pousadas e hotéis bem simples, mas em um hostel de quarto misto e banheiro compartilhado foi algo inédito, por isso faço questão de contar aqui para desmistificar essa experiência que vivi e super recomendo!

Uma das áreas de convivência do Garoa Hostel, em Pinheiros, São Paulo

Hospedagem é sempre uma questão importante em qualquer viagem. Há quem opte por priorizar a estrutura das acomodações, se tem ou não café da manhã incluso, se tem piscina ou outras áreas de lazer... eu sempre escolhi pela localização. Quanto melhor o custo-benefício em relação à distância dos principais pontos de interesse, ao deslocamento para o aeroporto ou rodoviária, quanto mais estratégico o local da hospedagem, melhor. Nas minhas viagens, confesso, nunca cogitei a possibilidade de ficar num hostel pelas circunstâncias em que eu costumava viajar. Mesmo assim, sempre achei o máximo quem ficava nesses lugares onde a possibilidade de conhecer todo tipo de gente são enormes e o conceito de hospedagem é totalmente diferenciado.

Pois bem, desde meu último post (maio de 2014), só fiz viagens acompanhadas da minha filha, ainda bebê na época. A escolha, portanto, foi sempre por ela: fomos a resorts e hotéis bem estruturados, eram viagens para ela. Como - de lá pra cá - eu estava num momento de total transição na minha vida, em todos os sentidos, minhas "escapadas" foram apenas para o Rio de Janeiro, no Reveillón, quando fiquei na casa da minha prima, e para São Paulo, aqui do ladinho da minha cidade, onde também me hospedei na casa de amigos ou fiz o famoso bate-volta. Sempre digo que morar em Mogi das Cruzes é um privilégio por estarmos muito perto do litoral e também da Capital, o que permite todo tipo de improviso, já que qualquer "zica" com hospedagem pode ser resolvida simplesmente voltando para casa.

A questão é que, apesar de muitas coisas terem mudado na minha vida, uma continua igualzinha: a intensidade com que eu gosto de fazer as coisas. Sempre que vou pra São Paulo, penso: já que vou no sábado para ir ao teatro, podia dormir lá e conhecer algum parque onde nunca estive, no domingo. Ou: já que vou pra balada na sexta-feira, em vez de voltar, podia ficar e ir a alguma exposição no sábado. São Paulo é infinita em termos de possibilidades e, por isso, há tempos pensava em me programar para ficar por lá sem depender da casa de amigos (odeio incomodar e ando fazendo a maioria das coisas sozinha, ultimamente). Resolvi fazer isso no fim de semana pré-carnaval, já que tinha zilhões de blocos que eu gostaria de ir! Com a cidade cheia de turistas, justamente por conta desses bloquinhos que - neste ano - se consagraram de vez na programação carnavalesca do país, os preços dos hotéis não estavam muito convidativos, mesmo dos mais populares. Parti, então, para os hostels!

Havia ouvido falar sobre alguns muito bons na região da Paulista, onde ainda pretendo ficar, mas como sempre preferi priorizar a localização. O primeiro dos blocos em que eu iria, onde seria inclusive o "esquenta" do pessoal que eu iria encontrar, era na região da Brigadeiro Faria Lima. Pesquisando no Booking, Expedia, entre outros sites desse tipo, achei o Garoa Hostel, a três minutos a pé da estação de Metrô Faria Lima. O preço estava ótimo: R$ 48,00 com café da manhã! Não conhecia ninguém que já tivesse ficado lá, não tinha nenhuma recomendação, mas arrisquei. Reservei a estadia de sábado para domingo.

No site constava que o check-in começava às 14 horas do sábado... mas às 14 eu já pretendia já estar me acabando atrás do bloco, que sairia às 11 horas. O que fazer, até lá, com a mochila que eu levei? Sambar com ela nas costas seria algo sem chance! Resolvi arriscar: cheguei lá pouco antes das 11, expliquei a situação, e o recepcionista muito gentilmente fez meu check-in antecipado, sem estresse. Ponto pro Garoa! Ponto também para a localização, que confirmei ao chegar lá. Muito perto da estação de Metrô e cheio de barzinhos bacanas ao redor, no coração de Pinheiros. Bom, deixei minha mochila no hostel e corri para os blocos! Falar sobre eles rende um post a parte porque foram DEMAIS os bloquinhos pré-carnavalescos em São Paulo, tanto que passei o dia inteiro entre um e outro, voltando para o hostel só por volta das 23 horas. Quando virei na rua do Garoa, levei um susto!

Balada na rua do meu hostel
Tinha um bloco rolando por lá também!!!! Ou uma festa, não sei ao certo. Em um dos bares espalhados por aquela região, essa balada tinha reunido uma galera enorme, que continuava por lá quando cheguei. O portão do hostel estava aberto e tinha um entra e sai de gente que fiquei em dúvida se eram hóspedes ou foliões dessa balada. Até pensei em me juntar a eles, entrar no clima... mas eu estava ACABADA depois de um dia inteiro de bloquinhos e só queria descobrir onde era meu quarto. No meio da confusão, demorei pra ser atendida na recepção. No entra e sai, um cara que trabalha no hostel tento me agarrar o que me irritou profundamente! Fui para o quarto bem aborrecida, acabei "contaminada" por aquele ambiente de fim de festa que me passou uma péssima impressão do lugar.

Um outro funcionário pediu desculpas, pegou minha mochila que havia ficado lá e me mostrou onde ficava o quarto e a minha cama. Eu estava curiosa pra saber como seria um quarto compartilhado, onde eu deixaria minhas coisas, se as pessoas iriam conversar comigo, como seria a questão da roupa de cama... tudo era descoberta pra mim. Uma pena que eu estava irritada porque aí tudo me aborreceu: o banheiro estar meio sujo depois de um dia inteiro de festa no hostel, o fato de minha cama ser uma beliche na parte de cima, onde eu não conseguia prender direito os lençóis naquela altura, o blablabla de todo mundo que voltava chapado pra dormir e falava alto, fazendo barulho. Confesso, foi a treva! Dormi pensando que iria embora assim que amanhecesse, que nem iria mais nos blocos do domingo (eu não tinha companhia pra esses blocos de domingo, iria sozinha mesmo), enfim, dormi na revolta querendo um hotel limpinho, silencioso, com quarto exclusivo, funcionários de gravata e ar-condicionado. Tudo mudou no dia seguinte.

Acordei cedo, antes do despertador. Era fim do horário de verão e meu organismo estava todo atrapalhado. A maioria das pessoas, no meu quarto (que depois vi que tinha cinco beliches), estava ainda dormindo. Tudo era silêncio (ao contrário da noite anterior) e fora do quarto estava tudo limpo e organizado (também diferente de quando cheguei para dormir). Foi aí que conheci de verdade o hostel. Tirei minha mochila do armário individual que tinha o número da minha cama e uma chave que ficou comigo, tomei banho num banheiro misto e não achei nada, absolutamente nada estranho nisso. Todas as pessoas para quem contei que ficaria num hostel com quarto misto, ou seja, com homens e mulheres, me disseram que eu era louca. Ok, o episódio do cara que tentou me agarrar na noite anterior me assustou, mas logo vi que era uma situação isolada de uma noite de balada forte de carnaval, nada tinha a ver com as pessoas com quem eu dividi o quarto.

"Avenida São João" do Garoa Hostel, onde ficava meu quarto

O Garoa Hostel é bem simples, como acredito que devam ser todos os hostels, mas eu gostei da "pegada" dele, inspirada na "terra da garoa". Todos os ambientes tem nomes de ruas de São Paulo. Eu fiquei na Avenida São João. A decoração tem grafite (Dória não esteve aqui rs), bandeiras, móveis rústicos. Na copa tem uma mesa de sinuca, na recepção tem notebooks que você pode usar inclusive para assistir Netflix. Na área comum que dá acesso à rua, um solarium e mais um notebook com uma placa que sugere que você escolha sua playlist como som ambiente. Na área do café da manhã, duas redes, mesas de madeira, tudo muito simples e fofo.

Só vi tudo isso na manhã de domingo, já que na noite de sábado foi tudo tão tumultuado. Saí para tomar café da manhã e decidir como seria meu dia, já que os amigos do bloco de sábado não iriam nos de domingo. Minha irritação já tinha ido pra bem longe e eu queria ficar em São Paulo, afinal, nunca tive problemas em fazer as coisas sozinha. Pensei em tudo isso enquanto tomava o café da manhã incluso na diária, que pelo preço foi bem ok: café, leite, suco, pão de forma, frios, manteiga e geléia. Quem quisesse também podia pegar frutas na geladeira.


Como é de costume nas minhas manhãs, tomei umas três xícaras de café bem devagar, pensando na vida. Não demorou para aparecer o mesmo funcionário que havia tentado me agarrar na noite anterior, quando ele estava fora de serviço. Ele trabalha de manhã. Pediu desculpas, explicou sobre a festança louca daquele sábado, resolvi relevar. Depois dele, foi um grupo bem enturmado numa mesa do café quem me incluiu na conversa. A ideia era que eu adivinhasse em qual cidade da região Centro Oeste do país um deles morava. "Jogamos" esse jogo de adivinhação do lugar de origem de cada um, que rendeu boas risadas. Um dos rapazes, justamente o único estrangeiro, um angolano, já tinha estado em Mogi das Cruzes, no Casarão da Mariquinha, aí a gente começa a ver como o mundo é pequeno e as pessoas parecidas. Como por exemplo a moça jornalista com quem conversei que, agora, está terminando a faculdade de Fonoaudiologia porque não quis seguir a profissão inicialmente escolhida. Separada, uma filha, se arriscando em novos caminhos. 

Minha pressa de ir embora ou de decidir o que iria fazer no meu domingo já não existia mais. Fiquei a manhã inteira no hostel, ligamos música no notebook, conversamos sem fim... e aí lembrei por que eu tinha tanta vontade de estar num hostel: por essa interação que rola entre os hóspedes, pelas pessoas tão diferentes - e ao mesmo tempo tão parecidas - que podemos conhecer. Saí do hostel com dois deles rumo aos bloquinhos que estavam rolando na vizinhança. Antes conhecemos uma "quitanda" que serve um brunch aos domingos, que me encantou! Fiz até uns vídeozinhos no estilo "blogueira / youtuber" hahahahahaha, não sei se dá pra ver por aqui!



Da quitanda, fomos direto para os bloquinhos, que de novo foram sensacionais.

Com André (de Cuiabá) e Brayan (de Curitiba) no bloco Quizomba, na Brigadeiro Faria Lima

Almoçamos juntos, conversamos bastante, aprontamos todas o dia inteiro, já são dois amigos a mais, duas pessoas incríveis com quem não quero perder o contato! Tudo graças ao hostel, que sem dúvidas vai passar a ser rotina em toda viagem que eu fizer a partir de agora, seja uma viagem maior (não, infelizmente ainda não tenho nenhuma planejada) ou numa fugida para alguma cidade próxima (tenho várias em mente)!

Até a próxima! :)

2 comentários:

  1. Aeeeee!!!!
    Tava com saudades de acessar o blog!
    Muito bom!!
    Beijos

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  2. Le, que bom ler seus posts de novo!! Muitas viagens pra vc!

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